Como a Educação Básica Pode Mudar o Rumo dos Investimentos no Brasil

O setor de educação é um dos que mais cresce no Brasil. Segundo o relatório “Education at a Glance”, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o investimento total em educação aumentou quase 4% em menos de uma década (2005 – 2012). Na iniciativa privada, isso pode ser bem observado através da expansão das franquias. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), esse modelo de negócio cresceu em 15% no final de 2015.

Talvez seja justamente por tantos números positivos, que a educação venha atraindo fortes investidores. A Revista IstoÉ Dinheiro publicou a reportagem “A Nova Fronteira da Educação” que fala sobre isso. Segundo o texto, nomes como Jorge Paulo Lemann, Alan Greenberg e os grupos SEB, Bahema e Tarpon estão apostando pesado no mercado do ensino básico.

Atualmente, a educação básica tem um faturamento anual estimado em R$ 51,3 bilhões de reais. Uma vez e meia maior que o ensino superior. Trata-se de um setor que caminha a passos lentos segundo os investidores, mas que é ideal para quem tem visão a longo prazo. Isso porque a previsão do Plano Nacional da Educação (PNE) é destinar até 10% do PIB ao setor.

Necessidade

Para os investidores milionários que escolheram este terreno para semear seus investimentos, a escolha pela educação básica partiu da necessidade deste setor no Brasil. Em entrevista à IstoÉ Dinheiro, Eduardo Queiroz, diretor-presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, afirmou que “os fundos vêm para melhorar a qualidade do ensino desde a creche, que é a base de formação de um indivíduo. O Brasil não melhora a educação geral porque não tem ideia do que faz no começo.”

Em 2000, o vencedor do Nobel, o economista James Heckman, provou a eficácia dos investimentos na primeira infância (de 0 a 6 anos). Foram décadas de pesquisa. O resultado ficou conhecido como Equação Heckman, que aponta um retorno de US$ 7 para cada US$ 1 investido nessa fase de vida. Só que no Brasil, apenas três em cada 10 crianças frequentam creches.

Oportunidade no mercado de educação básica

Até então, muito se investia na educação superior, mas há que se considerar alguns fatores importantes que são percebidos apenas pelos mais atentos em relação à educação básica.

O ciclo de estudo é bem maior que o do ensino superior. Enquanto os alunos passam, em média, quatro anos na faculdade, são pelos menos 12 anos estudando na educação básica. Isso é maravilhoso se formos pensar que isso evita a constante renovação e captação de alunos, além de ser uma atrativa geração de caixa.

A reportagem da IstoÉ Dinheiro ainda destacou outro ponto interessante: as receitas geradas pelas 40 mil escolas privadas brasileiras ainda estão dispersas. Os cinco maiores grupos não têm mais do que 5% de participação nesse mercado. Logo, ainda há muito para se explorar nesse nicho.

No entanto, para se destacar é preciso ser diferente. Para Thamila Zaher, diretora-executiva do grupo SEB que aposta em quatro unidades de negócio baseadas na educação básica, vai liderar o mercado quem souber inovar e antecipar as tendências na educação. “Entendemos que é preciso ter uma proposta de valor para continuar. Fora disso, não vai ser sustentável.”

Resumindo, é preciso ter propósito, querer, de fato, contribuir com o cenário da educação no país. Assim, é possível encontrar boas oportunidades no mercado e ainda somar com a qualidade do ensino brasileiro, que tanto carece de investimentos e bons modelos.


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